O sobreiro e a cortiça

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Típico do clima mediterrânico, o sobreiro (Quercus Suber L) é uma árvore que encontra em Portugal o seu habitat ideal e que hoje faz parte integrante da herança natural, ecológica e económica do país. A cortiça é a casca que é retirada do sobreiro, sendo a partir dela que a rolha é produzida. Natural, leve, impermeável a líquidos e gases, imputrescível e muito resistente ao atrito, constitui um produto natural com propriedades únicas, apresentando-se como o vedante de excelência para bebidas, principalmente para vinhos tranquilos e espirituosos.
Esta matéria-prima renova-se por si só e, ao fim de cada 9 anos de crescimento, está em condições ideias para ser extraída para o fabrico de rolhas. A primeira extracção ocorre quando a árvore atinge 25 anos de crescimento, sendo a cortiça designada como virgem, uma vez que ainda não apresenta as condições necessárias para ser utilizada pela indústria transformadora. Somente na terceira tiradia, designada por cortiça amadia, quando a árvore tem já 43 anos de idade, é que a prancha adquire as características adequadas à produção de rolhas. Depois da extracção, o sobreiro inicia de imediato um longo processo de regeneração que dará origem à camada seguinte de cortiça.

Considerado património nacional, o montado de sobro cobre 21% da área florestal portuguesa e é essencial à preservação de algumas espécies animais, tais como o lince ibérico e a águia imperial.